sexta-feira, 30 de julho de 2010

Os Devaneios fazem anos...


Os Devaneios estão de parabéns! Fazem um anito! Tudo começou quando uma rapariga chamada de Jojo pensou em escrever as suas opiniões sobre livros. Partilhar as emoções vividas, o entusiasmo (ou o desespero!) das páginas que lia. Muito mudou ao longo deste ano, conheci outros leitores que se tornaram grandes amigos e muitas leituras que adorei foram recomendadas por eles. Viva ao mundo global!
Os devaneios ainda estão em evolução e estão sempre abertos a críticas e a sugestões... Por isso, se algum dos meus amigos tiver ideias, partilhe...
Bjokas a todos!

quarta-feira, 28 de julho de 2010

O Quarto Arcano- O Anjo Negro ( Livro I) de Florencia Bonelli

No princípio do século XIX, diferentes processos revolucionários espalham-se pelas colónias espanholas da América, desejosas de se tornarem independentes da Coroa de Espanha. Buenos Aires será uma das primeiras capitais a concretizar esse sonho. É nesse contexto que decorre o romance de Florencia Bonelli, a mais popular autora histórico-romântica do panorama literário latino-americano. Roger Blackraven é um abastado homem de negócios inglês, com interesses particulares em Buenos Aires, onde é amo e senhor de terras e gentes, que o temem e respeitam. Mas a sua vida vai cruzar-se com o Anjo Negro... O Anjo Negro é Melody Maguire, uma exótica crioula ruiva, filha de um pai irlandês evadido do seu país para escapar à justiça inglesa. Assim apelidada pelos escravos, Melody luta pelo fim da escravatura. Roger representa para ela tudo o que mais odeia: é inglês, mulherengo, dono de escravos, um déspota - e, no entanto, não consegue evitar a atracção escaldante que nasce entre os dois. Romance histórico profundamente comprometido, romance sentimental com as cores e os cheiros da América Latina, muitas vezes imbuído de uma carga de erotismo fortemente explícito, "O Quarto Arcano" revela aos leitores portugueses uma das mais populares escritoras argentinas.


A MINHA OPINIÃO:


O Quarto Arcano- O Anjo Negro é um livro absurdamente magnetizante!!! As suas 543 páginas voam e criam dependência literária! É um romance histórico com personagens fascinantes, prodigiosas em sentimentos e emoções que me sugaram para o século XIX. O enredo está muito bem delineado e há sempre algo que fica por descobrir, por conhecer... Fui desvendando os segredos e as diferentes facetas dos intervenientes devagarinho, deliciando-me em cada página. Devagarinho e lendo rapidamente. Este parodoxo é facilmente explicável. Apreciei cada momento e cada cena como se lá estivesse e, ao mesmo tempo, desejava saber mais e mais. Sendo o romance histórico um dos meus géneros favoritos é facil deduzir o quanto a minha velocidade de leitura cresceu. Muito ou melhor, exponencialmente! Viciei-me nesta história! Roger Blackraven é um conde inglês, mulherengo, arrogante, poderoso e que muitos evitam enfrentar. Além da sua destreza e força física, Blackraven é muito inteligente e rapidamente se apercebeu do potencial que a América do Sul tinha. Investiu em propriedades, em fábricas criando um império de interesses e de comércio de sucesso. Este projecto megalómano não se limita a esta porção meridional da América mas a outras partes do mundo. Seguro de si e confiante, ninguém ousa contestar as suas ordens. Até aparecer Melody Maguire!... Preceptora de Victor, o afilhado do conde, ela vai enfrentá-lo e vai mexer com o coração e o pensamento de Roger Blackraven. O Anjo Negro como lhe chamam os escravos, luta pelos africanos contra despotismo e a crueldade de alguns dos fazendeiros. Esta mulher de cabelo ruivo e de olhos turquesa é determinada e corajosa. Roger, que nunca se prendeu a uma mulher por considerar que esta relação o enfraqueceria ama e odeia Melody Maguire. Ama-a pela sua desenvoltura e pela sua beleza invulgar. Odeia-a por não abandonar os seus pensamentos. Melody também não percebe o porquê do seu coração palpitar sempre que está na presença do conde. Afinal, ele representa tudo aquilo que ela detesta. Um amor escaldante brota e, aqui, a escritora não se poupa e não é parca em descrições sem pudores. Todavia, o que poderia se tornar repetitivo e demasiado lascívio não é. É uma paixão abrasadora porém, ela muda a vida dos dois protagonistas mostrando que o amor pode ser mais do que sexo. Melody e Roger são enigmas. Os seus passados são para o leitor decifrar e assim compreender melhor os que os move e os que faz viver. Contudo, o livro não vive só deste amor. A autora expande o seu conjunto de personagens com Servando, Jimmy, Elisea, Tommy, Somar, Marie e muitos outros e aqui está verdadeira riqueza da obra. Histórias paralelas igualmente fantásticas! A de Servando é particularmente tocante, um africano que é capturado e enviado para um país distante para ser escravo. Apaixona-se por Elisea, uma mulher branca e rica. Outro elemento brilhantemente introduzido é a Revolução Francesa, o império posterior de Napoleão Bonaparte e a consequente luta por informações através de redes e redes de espiões que se estendem por todo o Mundo. Blackraven não é imune a esta situação. Relaciona-se com todas as casas reais europeias de modo a proteger os seus interesses e alguém que lhe é muito querido. Assassinos, espiões, amor ardente, escravatura fazem deste livro, um conjunto irresistível que um único senão acaba de forma abrupta. Resultado?! Tive de ir a correr comprar o segundo volume!


6/7-EXCELENTE

Devaneios de Sites...










Olá a todos! Hoje venho divulgar alguns sites que se dedicam aos nossos queridos amigos, os livros.
O Segredo dos Livros possui inúmeras opiniões de outros leitores, entrevistas, passatempos e um fórum.
O Forúm dos Leitores é um novato nestas andanças mas promete. Leitores criticam as leituras e é um novo meio para a divulgação literária.
O Prazer da Leitura é ligeiramente diferente. Podemos alugar livros durante um período de tempo o que é uma mais valia uma vez que, que os nossos amigos estão, infelizmente, caros.
Mitos e Sonhos é um Forúm dedicado à fantasia.

Estão todos convidados!!!! Para acederem aos sites basta clicar no banner(s) correspondentes.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Planície de Espelhos de Gabriel Magalhães



Este livro é mágico. O leitor deverá pegar nele com todo o cuidado. Nunca se sabe bem o que pode acontecer quando alguém folheia as páginas deste romance. A protagonista, Marta, uma professora universitária, parte para uma viagem que a levará a encontrar-se com um fantasma que lhe pede boleia, à noite, numa estrada alentejana. O espectro voltará a aparecer no dia seguinte, assombrando a sua vida. Mas a maior surpresa acontece quando o fantasma surge na vida do autor – e também na existência de cada leitor deste romance. Porque Planície de Espelhos leva às últimas consequências a magia da literatura.

A MINHA OPINIÃO:

Planície de Espelhos é o livro mais exótico, original e estranho que já li até hoje. Perdoem-me as redundâncias mas é difícil definir este livro. Esta afirmação não é, de modo nenhum, perjorativa, pelo contrário, os adjectivos que usei foram um elogio à criatividade de Gabriel Magalhães. Através estas páginas surpreendentes podem surgir várias interpretações. A história é insólita, apesar de ter uma premissa aparentemente simples. Marta Valadares, uma professora universitária, após um jantar, conduz pelo Alentejo, quando se depara com um jovem a pedir boleia. Uns metros à frente, encontra-o de novo na mesma posição. Tem um livro na mão. No dia seguinte, por intermédio de um jornal percebe que o jovem tinha falecido há pouco tempo. O espectro volta a atormentá-la porém, desta vez deixa o misterioso livro à sua disposição. Isto é tudo o que posso dizer acerca de Planície de Espelhos. Quanto menos se souber antes de iniciar a leitura, melhor é. Assim, a surpresa é maior. Reconheço que estas linhas distintas que compõe a história possam ser demasiado incomuns para alguns leitores. Eu gostei imenso do livro. Obrigou-me a reflectir sobre o significado da palavra viver. Viver em pleno...e mudar quando vivemos sem viver! Confusos?!

4.5/7-MUITO BOM

quinta-feira, 22 de julho de 2010

A Espada de Zagan de Clark Ashton Smith



Em pleno ambiente das Mil e Uma Noites, dois jovens arriscam a morte e enfrentam o perigo em peripécias e batalhas para conquistar o amor de uma jovem de beleza singular: Fatima, a sobrinha do poderoso Sultão. Num ambiente mágico e apaixonante, "A Espada de Zagan" faz-nos sonhar com palácios e a vida exótica nas cidades atribuladas do Médio Oriente. Um livro repleto de ação e aventura, com descrições de tirar o fôlego. "A Espada de Zagan" é um dos grandes clássicos da literatura e foi escrito por Clark Ashton Smith nos seus anos de juventude. Mais tarde, Ashton Smith veio a tornar-se um dos escritores mais importantes dos inícios do séc. XX.

A MINHA OPINIÃO:

A Espada de Zagan é uma obra sedutora, mas com uma dinâmica um pouco atabalhoada. Este é um livro da coleccção TEEN da Saída de Emergência que visa o público jovem. Uma iniciativa louvável desta editora! Relativamente a este livro de Clark Ashton Smith, os cenários são fascinantes, eis o Médio Oriente! Confesso que sou uma apaixonada por culturas distintas da minha por isso, sempre que posso viajo através dos livros. O escritor presenteia-nos com Ali Zagan, Abdul e a sua história. Ali conhece Abdul e, logo, se estabelece entre eles uma amizade. Abdul sonha com Fatima, a bela sobrinha do sultão, com quem teve um encontro fugaz. No entanto, esta mulher mudará para sempre a vida dos dois amigos. Ali sucumbe aos seus encantos e este amor traçará o destino dos três. Batalhas heroícas, amores proibidos forjam uma lenda. Apesar de a história ser cativante, a obra peca pela imaturidade. A carência de pormenores e a fraca ligação entre alguns capítulos tornam esta leitura adequada para jovens mais audazes. Todavia, Clark Ashton Smith era ele próprio muito jovem quando escreveu este livro. Assim, consegui perdoar estas lacunas. Mesmo com estas irregularidades é perceptível o génio do autor na elaboração das personagens. Tomarem a todos os jovens escritores possuírem uma centelha deste talento.

4/7-BOM

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Sete Dias para a Eternidade de Marc Levy


Deus e Lúcifer num braço-de-ferro final.
O mais angélico dos anjos e o mais demoníaco dos demónios são postos em cena para o derradeiro desafio.
Em apenas sete dias, joga-se o destino da humanidade.
Mas nem Deus nem Lúcifer poderiam prever o que resultaria de um encontro entre o anjo e o demónio...

A MINHA OPINÃO:

Sete Dias para Eternidade é um livro insólito. A sinopse é claramente original. Zofia é enviada pelo Senhor, Deus para combater o enviado do Presidente, Lúcifer. Lucas diverte-te com a desgraça, com terror e com o caos. Zofia é o seu oposto. Altruísta, bondosa e fiel à sua causa. Zofia e Lucas cruzam-se e o inexplicável acontece. Apaixonam-se! Será Lucas mudará Zofia ou será Zofia a alterar a essência de Lucas? Marc Levy transforma o Céu e o Inferno em corporações multinacionais em que a vontade dos comandantes é régia contudo, nem eles contavam com tamanha reviravolta. É divertido e descontraído ou melhor, tem um sentido de humor muito peculiar. No início tive problemas na leitura. A acção era rápida e mudava constantemente de cenário assim, ficava com aquela sensação de vazio, sentia pouca ligação às personagens. Porém, a adaptação ao ritmo de Marc Levy chegou e acabei por gostar imenso do livro. Zofia e Lucas tornam-se viciantes propocionam momentos ternurentos e alguns bizarros. Um demónio a tentar fazer o Bem? Um anjo a tentar fazer o Mal? Muito estranho mas estes conflitos alimentam o livro e o tornam agradável e envolvente.

4/7- BOM

terça-feira, 13 de julho de 2010

Devaneios Cinematográficos- The Twilight Saga Eclipse


A MINHA OPINIÃO:

Sobre este franchising muita tinta já correu... permitam-me acrescentar mais alguma.:P Eclipse é para mim, o melhor filme da saga até agora. Quem vai ao cinema em busca de obra-prima acabará por sair decepcionado, não obstante é um filme satisfatório. David Slade, o realizador, conferiu uma atmosfera de maior tenebrosidade às personagens principalmente, aos recém-nascidos vampiros. A própria tonalidade da fita é mais escura reflectindo as duras decisões que serão tomadas. Embora o foco da acção continue a ser o triângulo Edward-Bella-Jacob, o campo cinematográfico alarga-se com a introdução das histórias das vidas humanas de Rosalie e Jasper, com presença dos Volturi e com a aliança inesperada entre o clã Cullen e os lobos Quileute. Bella, a protagonista, continua a ser o alvo de Victoria e Edward fará tudo para a proteger. Jacob insiste com Bella, afirmando que ela o ama só que não quer admitir. Jacob ou Edward, um deles será um futuro de Bella. A adaptação é muito fiel ao livro pelo que, a personagem Bella concentra as atenções. Continuo a não perceber o porquê disso... Acho-a pouco carismática e um pouco egocêntrica mas enfim... A actriz não tem culpa desta minha aversão, é a personagem. Se bem que não contribuiu muito para eu gostar mais dela. Podia ser muito mais expressiva! Quanto ao elenco em geral perfazem bem os papéis. O melhor trunfo deste filme chama-se Howard Shore. Para quem não sabe é o senhor que compõe a banda sonora. Subtil e melodiosa! Em suma, não é uma obra prima, é bom para desanuviar e assistir sem grandes pretensões. Está contra-indicado para pessoas que não gostam dos livros de Stephenie Meyer (obviamente!) E vocês já o viram? O que acharam?
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quinta-feira, 8 de julho de 2010

Senhores da Noite de Carla Ribeiro



Possuem o dom da imortalidade. Controlam as forças da magia com o poder da sua vontade e, com base na imunidade à morte, subjugaram a humanidade. Têm, contudo, uma fraqueza: vivem em guerra constante.
Moranius Sinister é o mais antigo dos imortais, único sobrevivente de um tempo em que a sua raça vivia sob as leis de um império. No presente, contudo, são já escassos os imortais e todos eles desejam o poder dos seus semelhantes. Para conquistar as suas ambições, Moranius vê-se obrigado a, juntamente com a sua amante, Deletress Aventra, conceber um plano que lhe permita eliminar do seu caminho os restantes imortais, apesar de todas as revelações ainda ocultas no tempo.
Nenhum trilho ficará por percorrer. Nenhum segredo será deixado por revelar. Nenhum ser vivo ficará seguro. Num mundo governado pela lenda do Senhor da Noite, a supremacia não admite um plural.

A MINHA OPINIÃO:

Senhores da Noite é um livro sensualmente negro! Há uma centelha de maldade em todas personagens. Malvadeza que as poderia tornar detestáveis e assim a obra perderia a sua capacidade de agradabilidade. Curiosamente, acontece exactamente o contrário. Por ser diferente e porque a autora interrompe a história actual e viaja ao passado através de flashbacks criando uma relação de intimidade com o leitor. Conhecendo o passado, os temores, as traições que muitos imortais sofreram transforma-os mais acessíveis. Os seus actos são mais compreensíveis, diria eu. Claro que existiram momentos na leitura que pasmei com tanta atrocidade cometida por Moranius Sinister. Ele é o mais antigo dos imortais e para se tornar o Senhor da Noite precisa de absorver o poder de todos restantes. É ambicioso, ardiloso, terrível, cruel, frio e calculista. E como é que se absorve o poder dos outros imortais? Através do sangue ou seja, matando-os. Ao seu lado, está Deletress, uma imortal que como ele deseja o poder. Os dois formam um casal mortífero e já têm um novo alvo, Arcania. Porém, será que a união de Deletress e Moranius invencível? E será que esta sociedade é isenta de desconfiança ou mesmo de traição? É livro pequeno se lê em pouco tempo e o virar de página é constante. Há qualquer coisa no tenebroso Moranius que atrai e embora algumas das suas acções sejam absolutamente horrendas, ele lança a sua teia de sedução e enreda o leitor. Esqueçam vampiros bonzinhos, este imortal é mais negro que a escuridão. Dark as dark can be! Quanto ao seu final... bem... não estava nada à espera! A sede de poder cega... É um livro original que só peca por ser tão curto. Queria mais! Queria que este mundo fosse mais explorado. Notei algumas repetições de palavras sobretudo, no início do livro mas confesso que já estava alertada para este facto depois ler uma outra crítica. Contudo, estas falhas não são suficientemente importantes para impedir uma leitura muito agradável e refrescante. No meio de tanto ser sobrenatural bonzinho, misericordioso... é óptimo encontrar um que se mantém fiel à sua natureza de bad bad guy! ( Perdoem-me o(s) estrangeirismo(s)!):P

5/7- MUITO BOM

PS: Carla Ribeiro tem um blog onde expõe as suas opiniões literárias: As Leituras do Corvo.

Divulgação-Presença Editora- Convite

segunda-feira, 5 de julho de 2010

A Virgem das Amêndoas de Marina Fiorato



Na Itália do século XVI, o jovem pintor Bernardino Luini, discípulo favorito do mestre Leonardo da Vinci, é encarregado de pintar um fresco religioso na igreja de Saronno, uma pequena localidade nas colinas da Lombardia. Ao entrar na igreja, a sua atenção é captada pela beleza e pela melancolia da jovem Simonetta, viúva de um poderoso senhor feudal morto em combate.

Sozinha e a ver a sua fortuna desaparecer até não restar nada mais a não ser as amendoeiras da sua villa, Simonetta acede a posar como modelo para Luini, que a imortalizará para sempre nos frescos da igreja como a Virgem di Saronno. À medida que o trabalho progride, artista e modelo apaixonam-se, selando o sentimento com um beijo que escandalizará a Igreja.

À genialidade com que Bernardino imortalizará a sua musa, Simonetta retribui com a criação da sua própria obra de arte: um licor especial fabricado com o fruto das suas amendoeiras. O licor ficará conhecido, até aos dias de hoje, como o famoso Amaretto di Saronno.

Contudo, antes de ambos completarem as suas obras, a relação é fortemente abalada por um acontecimento que porá em perigo aquele amor. E as suas vidas.

Uma inesquecível história de paixão e arte que se desenrola tendo como pano de fundo uma Itália Renascentista, onde a intriga, os escândalos, a guerra e a intolerância religiosa imperavam no dia-a-dia.

A MINHA OPINIÃO:

A Virgem das Amêndoas é um livro belíssimo! Dotado de uma história encantadora, descrições vívidas e uma escrita doce quase poética. Mergulhei na Itália Renascentista, inspirei o suave aroma das amendoeiras em flor, maravilhei-me com a beleza e com a cor dos pigmentos da paleta de Luini e deliciei-me com o Amaretto, o doce e amargo licor de amêndoas. Há livros que nos fazem esquecer a realidade e que nos enredam tão eficazmente que ficamos perdidos e ao mesmo tempo, vigilantes pois não queremos perder pitada. Eis um desses livros! A história central baseia-se numa lenda. A criação do famoso licor Amaretto em homenagem a Bernardino Luini. Luini, pintor da Renascença, pupilo de Leonardo da Vinci era um homem devasso, libertino e mulherengo até receber uma encomenda que o levará a Saronno. Aí encontra Simonetta, mulher aristocrata de beleza inigualável, recentemente viúva e cuja sobrevivência está risco. Ela a troco de dinheiro aceita posar como modelo para Luini que usará a sua imagem para pintar a Virgem Maria num dos muitos frescos que irão preencher a Igreja do simpático padre Anselmo. Bernardino, muito mais velho que Simonetta apaixona-se pela singela e corajosa dama. Porém, ela carrega o luto e os remorsos por estar a trair a memória do seu falecido marido. Na ruína, Simonetta também tem lidar com a possibilidade de ficar sem a sua casa e sem as suas amendoeiras. Recorre a Manodoratta. Homem que muitos olham com desconfiança por professar o Judaísmo. No fundo, é um ser bondoso que se compadece da jovem viúva e lhe dá o seu apoio, investindo nas suas propriedades. Paralelamente a esta história, encontramos não muito longe dali, Amaria e Nonna. Nonna é uma mulher idosa, de boa índole, pobre que criou sozinha Amaria, a sua neta. Amaria, é uma rapariga de espírito livre e uma beleza italiana selvagem. Ambas encontrarão Selvaggio, rapaz perdido e sem memória e o ajudarão. A jovem donzela descobre o seu destino nos olhos verdes límpidos de Selvaggio. Ele a corresponde mas, poderá um homem sem passado amar? O amor seja, o dos amantes, o filial, o fraternal é um tema recorrente do livro contudo, o ódio e o fanatismo também estão presentes. A perseguição aos Judeus pela Inquisição, pela população cega pela ignorância e pela superstição é retratada como aquilo que foi, uma mancha negra, horrível e impagável da História da Humanidade. Um livro encantador que incentiva à tolerância religiosa, que valoriza o poder da amizade e que glorifica o amor adornado pelas belas pinturas da Renascença e pelas paisagens fantásticas da Itália.

EXCERTO:

Leonardo para Bernardino:

" Ouve-me bem Bernardino, não te deixes dominar pelo peso do teu próprio génio porque não o tens. És um bom pintor e podes vir a ser um grande pintor mas, só quando começares a sentir. Se fores roído pela mágoa da separação desta senhora, se o teu coração sangrar, tanto melhor. Pois o teu trabalho reflectirá paixões que experimentas e só então transmitirás essas emoções à tela."

5/7- MUITO BOM

CURIOSIDADE:

Bernardino Luini existiu na realidade e as suas pinturas podem ser admiradas através deste pequeno vídeo que encontrei na net. Reparem que uma mulher predomina em todos os seus quadros. ( MonaLisa, o famoso quadro de Leonardo da Vinci também aparece... há quem afirme que Luini sendo aprendiz do génio tenha participado na sua elaboração.)

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sábado, 3 de julho de 2010

O Braço Esquerdo de Deus de Paul Hoffman


A sua chegada foi profetizada. Dizem que ele destruirá o mundo. Talvez o faça...
"Escutem. O Santuário dos Redentores, em Shotover Scarp, é uma mentira infame, pois lá ninguém encontra santuário e muito menos redenção."
O Santuário dos Redentores é um lugar vasto e isolado - um lugar sem alegria e esperança. A maior parte dos seus ocupantes foi levada para lá ainda em criança e submetida durante anos ao brutal regime dos Redentores, cuja crueldade e violência têm apenas um objectivo - servir a Única e Verdadeira Fé. Num dos lúgubres e labirínticos corredores do Santuário, um jovem acólito ousa violar as regras e espreitar por uma janela. Terá talvez uns catorze ou quinze anos, não sabe ao certo, ninguém sabe, e há muito que esqueceu o seu nome verdadeiro - agora chamam-lhe Cale.
É um rapaz estranho e reservado, engenhoso e fascinante. Está tão habituado à crueldade que parece imune a ela, até ao dia em que abre a porta errada na altura errada e testemunha um acto tão terrível que a única solução possível é a fuga.
Mas os Redentores querem Cale a qualquer preço, não por causa do segredo que ele sabe mas por outro de que ele nem sequer desconfia.
A MINHA OPINIÃO:
O Braço Esquerdo de Deus é um livro rude e cru. É um reflexo da personagem principal, Thomas Cale. Cale é um acólito no Santuário dos Redentores. É treinado na violência para servir fielmente e até à morte a sua religião. Anos e anos de terror, dor e sofrimento criaram um jovem que sem saber abrirá uma porta e deparar-se-á com um espectáculo inominável. Cale, frio e calculista, deixa-se toldar pela emoção e comete um acto de bondade desrespeitando todas as leis do Santuário. A fuga é a única saída. Partem com ele, Henri Vago e Kleist, dois outros acólitos. Em Memphis, cidade rainha do Império Materazzi, eles conhecem um mundo novo, novos aliados e novos inimigos. Todavia, o Redentor Bosco inicia uma perseguição frenética. Cale possui um segredo que ele próprio desconhece. É um livro que prima pela acção que o torna bastante envolvente.Foi classificado como fantasia mas, é visivelmente distinto. Esqueçam as criaturas sobrenaturais e os seres mágicos não os encontrarão nesta primeira obra de Hoffman. Difere do nosso mundo é certo, porém, contém referências facilmente reconhecíveis a momentos, a religiões, nomes que nos soam familiares. Cale é claramente, um herói ( ou será anti-herói?) em ascensão. Sendo que no final, muitas questões ficam sem resposta aguardando pelas páginas esclarecedoras do segundo volume. É viciante e a adrenalina é constante! A escrita de Hoffman é sincera e há pouco espaço para os eufemismos. Sangrenta, cruel e perturbadora. Como falhas aponto apenas alguma falta de vivacidade e de o facto da história de Cale me lembrar de outras histórias lidas. Contudo, não deixa de ser um bom livro e boa alternativa para quem procura uma leitura do género fantástico diferente desprovida de vampiros, anjos, elfos, feiticeiros etc.
EXCERTO:
"A vida é uma viagem para pessoas como tu e eu, uma viagem em que nunca sabemos se vamos pelo nosso caminho. Vemos um novo destino enquanto viajamos, e outro melhor, e outro, e assim por diante até que o lugar para onde nos dirigíamos no início fica completamente esquecido. Somos como alquimistas: começam à procura de ouro, e pelo caminho descobrem remédios utéis, e uma maneira sensata de ordenar as coisas e o fogo de artíficio... a única coisa que não descobrem é o ouro!"
4/5- BOM

TRAILER DO LIVRO:
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quinta-feira, 1 de julho de 2010

A Cidade das Cinzas de Cassandra Clare

ATENÇÃO!!! A sinopse contém spoilers (enormes!) para quem não leu o primeiro livro da trilogia... Avancem logo para a opinião!


Clary Fray só queria que a sua vida voltasse ao normal. Mas o que é normal quando se é um Caçador de Sombras? A mãe em estado de coma induzido por artes mágicas, e de repente começa a ver lobisomens, vampiros, e fadas?
A única hipótese que Clary tem de ajudar a mãe é pedir ajuda ao diabólico Valentine que, além de
louco, simboliza o Mal e, para piorar o cenário, também é o seu pai. Quando o segundo dos Instrumentos Mortais é roubado, o principal suspeito é Jace, que a jovem descobriu recentemente ser seu irmão. Ela não acredita que Jace de facto possa estar disposto a abandonar tudo o que acredita e aliar-se ao diabólico pai Valentine… mas as aparências podem iludir.

A MINHA OPINIÃO:

A Cidade das Cinzas é absolutamente irresistível... É impossível respirar, parar e custa virar cada página porque assim perdemos tempo e corre-se o risco de perder o comboio de alta velocidade que é a história. Os acontecimentos sucedem-se e a acção bate freneticamente impelindo o leitor a continuar. A trama adensa-se... Jace e Clary lidam com seus demónios interiores e com as revelações chocantes da primeiro volume. Neste livro, Clary emerge como uma luz que orienta Jace que se encontra perdido e atordoado. Jace continua fiel a si mesmo... convencido, sarcástico mas viciante e converge atenções. É uma personagem fantástica e os segredos do passado que o envolvem é uma das forças motrizes da história. Os personagens secundários como Simon, Alec, Isabelle, Magnus e Luke ganham espaço e surgem novos intervenientes que prometem para o terceiro volume como Maia, a jovem lobisomem. Nesta Cidade de Cinzas conhecemos um novo povo sábio, as Fadas. Aquelas que nunca mentem mas podem distorcer a verdade. Valentine continua a ser um vilão pérfido e engenhoso todavia, ele guarda a chave que poderá abrir o passado de Clary. Demónios ( alguns nada simpáticos!), feiticeiros ( Magnus Bane é simplesmente enfeitiçante), lobisomens e nossos Caçadores das Sombras, descendentes do Anjo Raziel, criam um Mundo para onde eu quero voltar. Quero saber o que acontece... e é este o grande trunfo de Cassandra Clare, deixa os leitores a ansiar por mais. Eu já estou preparar uma nova viagem a este mundo, Cidade de Vidro aí vou eu!:p

MAJOR SPOILERS !!! ( Para visualizar melhor seleccione com o rato) Desculpem não consegui colocar as letras totalmente invisíveis... por isso quem não quiser spoilers fuja desta parte!!!

Será que a Clary e o Jace são mesmo irmãos? Humm... seria uma tragédia se assim fosse... Beijos daqueles não se dá a uma irmã?! E depois há pequenos indícios no livro que me levam a suspeitar que Valentine esconde mais um segredo-bomba que revolucionará as vidas de Jace e Clary. Os que leram este segundo volume o que acham?

5/7- MUITO BOM