quarta-feira, 29 de junho de 2011

A Dádiva de Toni Morrison


Da autoria da primeira mulher negra a ser distinguida com o Prémio Nobel da Literatura (1993), A Dádiva é um romance extraordinário que se passa na América do Norte de finais do século XVII. Profundas divisões sociais e religiosas, opressões e preconceitos exacerbados propiciam o cenário ideal para a implantação da escravatura e do ódio racial. Jacob Vaark é um comerciante anglo-holandês que apesar de se manter à parte do negócio dos escravos, que então dá os primeiros passos, acaba por aceitar uma menina negra, Florens, como pagamento de uma dívida de um fazendeiro de Maryland. Nesta parábola do nascimento traumático dos Estados Unidos, Morrison revela-nos o que se esconde sob a superfície de qualquer tipo de sujeição, incluindo a da paixão, e o quanto essa falta de liberdade é nociva para a alma.       

A MINHA OPINIÃO: 

A Dádiva é um livro com poucas páginas todavia, é uma obra com muito para dar!:) E o leitor também se deve  entregar ao livro porque se não o fizer, nunca será capaz de o compreender. Com um início caótico e impreciso testa a preserverança daquele que se atrever a lê-lo! Chega a desafiar a lógica com as suas frases, aparentemente, sem nexo e com seu discurso incoerente. Uma escrita que me deixou perplexa mas, intrigada. Finalmente, percebi o porquê. Toni Morrison só queria eu que conhecesse a personagem por dentro. Queria que eu vivesse dentro dela! No capítulo seguinte muda de narrador porém, mantém o mesmo estilo e aí incorporo outro ser. Quando dou por mim, já estou no âmago da história sem, no entanto, conseguir abarcar a complexidade da mente humana. Um labirinto de sentimentos, valores, loucuras e ideias! É uma escrita inimitável e rara que perturba o leitor. Tive de o ler devagar para que a individualidade e a singularidade de cada personagem se entranhasse em mim. E que personagens! São todas exuberantes, cheias de segredos e cada uma com um discurso diferente com prolepses e analepses que me obrigaram a estar com a atenção redobrada. Cada pormenor e cada citação tornavam o livro ainda mais fascinante. Foi uma leitura deliciosa e sobretudo, poderosa! Abordando a escravatura,os conflitos sociais e religiosos da época, A Dádiva é um testemunho grandioso do quão importante é liberdade!A liberdade dos homens e a liberdade de alma!

7/7- OBRA-PRIMA

sábado, 25 de junho de 2011

O Highlander Negro de Karen Marie Monning

Dageus Mackeltar é um herói encantador assim como o seu pior inimigo. No final do anterior romance, "O Beijo do Highlander", Dageus usara os poderes dos druidas para viajar no passado e salvar o seu irmão gémeo, Drustan. Mas, ao fazê-lo, libertou os espíritos de treze maléficos druidas que agora vivem dentro dele. Durante a sua investigação de textos arcanos que podem conter a chave para aprisionar novamente os espíritos, Dageus conhece Chloe Zanders, uma amante de antiguidades em Manhattan. E, quando ela tropeça na sua colecção de documentos "emprestados", Daegus vê-se obrigado a mantê-la sob a sua vigilância.
A tensão e atracção entre ambos atinge o ponto máximo quando viajam os dois até à Escócia para enfrentar os demónios de Daegus. A boa disposição de Chloe é a combinação perfeita para a sensualidade de Daegus. Esta história, selvagem e criativa, leva os leitores a uma viagem excitante através do tempo.

A MINHA OPINIÃO:

Com a chegada doVerão, apeteceu-me a apimentar um pouco as minhas leituras e diminuir a enorme pilha de romances que tenho!Li O Beijo do Highlander da mesma autora o Verão passado e, apesar de, não me ter seduzido totalmente fiquei com o desejo de ler o seguinte da saga, O Highlander Negro. Todos concordamos que, às vezes, há livros que não são lidos na melhor altura. Ou será que um bom livro agarra o leitor de forma inegável independentemente do momento? Continuo sem resposta a esta questão. Porquê esta interrogação? Porque o anterior da saga cativou-me e entreteve-me algumas  horas embora com as suas fragilidades e este novo volume ficou aquém das minhas expectativas. Esperava algo novo e diferente na história de Dageus e Chloe e, isso não aconteceu. Obviamente, existem diferenças mas estas são pouco notórias! Recapitulando, existe um protagonista druida alto, erudito e sensual e uma co-protagonista pequenina e totalmente inexperiente em matéria de sexo no primeiro volume. No segundo volume também! Drustan e Dageus são gémeos porém, Gwen e Chloe excusavam de o ser. O seu amor pareceu-me demasiado fácil. Ele rapidamente proferiu as suas juras de amor eterno e ela em seguida. Ele gosta dela por ser curiosa e virgem e ela por ser um homem belíssimo e um artefacto do passado ( ela adora artefactos). Não que eu tem nada contra isso (especialmente, contra a parte do homem lindíssimo:p), mas faltou substância e enredo à história. A autora podia ter seguido outro rumo bem mais interessante...  Entre  as viagens no tempo, o druidismo e a dualidade de Dageus havia tanto para explorar! Enfim, Karen Marie Monning podia ter enriquecido mais o livro a vários níveis! O foco da sua atenção resumiu-se aos personagens principais e o prazer de conhecer a Escócia presente e passada através dos olhos da escritora foi defraudado. As personagens secundárias foram o escape para mim. Silvan, Nelly e o enigmático Adam mostraram ser muito mais reais e muito mais cativantes. Adam será o protagonista de outro livro. E esse será a minha última oportunidade a esta autora! Os seus livros precisam de sofrer um reviravolta para me conquistarem. São livros que se lêem contudo, não marcam!

3/7 RAZOÁVEL

sábado, 11 de junho de 2011

A Conquistadora- O meu reino por um beijo de Teresa Medeiros

Ele é Conn, das Cem Batalhas, o rei guerreiro que forjou uma nação numa terra de clãs isolados. Na qualidade de rei supremo da Irlanda, dirige o lendário Fianna, o seu grupo de guerreiros de elite. Mas o misterioso assassínio de vários dos melhores homens de Conn ameaça o trono. Conn parte sozinho em busca de um inimigo aparentemente invencível, sem saber que vai ter de enfrentar uma mulher de olhos verde-esmeralda e cabelos cor de labaredas…
Empunhando uma espada chamada Vingança, Gelina Ó Monaghan jura derrotar o homem que considera o responsável pela ruína da sua família. Nunca imaginou que ele pudesse vencê-la em combate… e ao mesmo tempo conquistar o seu coração. A sua paixão proibida transforma-se numa guerra travada com espadas e beijos, promessas e traições – e a rendição será apenas um início…

A MINHA OPINIÃO:
A Conquistadora foi uma leitura impulsiva! Tenho imensos livros à espera na estante mas, este foi mais apelativo! Culpo a capa e minha adoração por romances históricos! Este livro de Teresa Medeiros revelou-se uma obra cativante com personagens sedutoras. Estava à espera de muito menos... de um livro para desanuviar e sem grande história ou grandes emoções. Enganei-me e ainda bem! Nem sempre sabemos o que queremos! Li-o sofregamente! Conn é o rei que unificou clãs e criou o lendário Fianna, um grupo de guerreiros altamente treinados e respeitados. Gelina é sua inimiga que o acusa de assassínio e sonha com a sua morte pela sua espada.Porém, a rapariga irreverente de olhos esmeralda e cabelos cor de fogo torna-se mulher e, Conn, perde o discernimento e não percebe se a odeia ou se a ama. Os protagonistas e a sua história são fascinantes com as suas lutas entre beijos e reviravoltas na relação. Contudo, se aqui está uma das grandes virtudes do livro também está o seu grande erro. Passado algum tempo de tanta espada e tantas juras de amor eterno, não se entende muito bem porque Conn deixa de acreditar em Gelina. Sim, ela era culpada de imensas coisas. Mas eram coisas do passado que ele, próprio, optou por esquecer. Quem me garante que toda esta desconfiança não voltará para assombrar este amor? Todavia, não posso negar que o livro foi um deleite para mim que adoro um bom romance. Deixei-me levar! Não criei muitas expectivas, nem esperei muito dele! Adorei uma pequena personagem de Teresa Medeiros: o anão Nimbus. Pequeno, só em tamanho pois é adorável! É o bobo mais humorado e perspicaz que conheço!:) ( Não fiques com ciúmes, Tyrion Lannister, continuas a ser o meu anão favorito!:p) Nimbus, Gelina e Conn foram impiedosos com o meu sono e não desisti enquanto não acabei o livro! O cenário escolhido também foi o ideal, Erin, a actual Irlanda, com os seus mistérios e grandiosas florestas. Um bom livro que beneficiaria de um pouco de mais coerência contudo, ainda assim uma leitura deliciosa para o Verão que se avizinha...:)

5/7-MUITO BOM

PS: Estou a ter alguns problemas com o blogger e em postar em outros blogs. Também vos está a acontecer o mesmo?


sábado, 4 de junho de 2011

Romance Atribulado de Jill Mansell

Orla Hart, a famosa autora de bestsellers românticos, decide transformar Millie, a sua melhor amiga, na heroína do próximo livro. Millie duvida que a sua vida aborrecida possa inspirar uma história interessante, mas Orla pensou em tudo: sem a amiga saber, vai fazer o possível para lhe apimentar a vida. E enquanto Millie reconta os acontecimentos hilariantes em torno dos seus amigos e família, Orla conspira para a juntar ao perfeito herói romântico e tornar as coisas bem mais excitantes. O problema é que Millie também escondeu alguns eventos recentes da sua vida. E tanta confusão só pode dar um…romance atribulado!

A MINHA OPINIÃO:
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Está triste? Está aborrecida? Está farta de ler sempre a mesma história de amor? Um livro de Jill Mansell, em particular, Romance Atribulado é o remédio para si!:p Miraculoso e com divertimento garantido,  eis um livro que é um elixir fabuloso para acabar com o tédio! Jill Mansell é uma perfeita alquimista e conjuga as personagens mais peculiares com as situações mais caricatas e com os enredos mais inimagináveis! Este livro lembra uma daquelas comédias românticas cinematográficas em que a protagonista mete-se em todo o tipo de situações inacreditáveis e cómicas: primeiro, por ser a mais desastrada e distraída das mulheres e, segundo, por ter os amigos mais bem intencionados de todos mas, que nem sempre ajudam com as suas acções, pelo contrário, só complicam! A heroína desta nova obra de Mansell é Millie. Ela tinha uma vida mais ou menos organizada até conhecer Orla Hart, uma famosa escritora romântica. Orla vê em Millie uma oportunidade para criar um novo livro cuja personagem principal será criada à imagem de Millie. De um momento para outro, a história muda e a vida de Millie dá uma volta de 360 graus! Seguem-se umas boas gargalhadas ou, pelo menos, uns belos sorrisos... As excentricidades  das personagens de Romance Atribulado são tão impossíveis que são ridiculamente hilariantes! Millie é a rainha do inexplicável e com Orla a apimentar a sua vida amorosa é de esperar um resultado ainda mais estranho! A protagonista tem o emprego mais esquisito de todos: veste-se de gorila para dar notícias;), tem o patrão mais insano e mulherengo de todos e a melhor amiga mais tresloucada à face da terra, Hester. E isto, sem contar com os homens que Orla insiste em impingir à pobre Millie! É um livro dinâmico, pautado pela escrita fluida de Jill Mansell! Não atinge o estatuto de obra-prima, está longe disso porém, é um livro leve, sem grandes pretensões e que assegura umas boas horas de leitura! Para quem procura, uma boa comédia romântica....:)

5/7- MUITO BOM

PS: Obrigada Segredos dos Livros!

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Os Laços que nos unem de Linda Gillard

“Rose Leonard quer esquecer o seu passado.
Refugiada numa pequena comunidade numa ilha ao largo da Escócia, ela dedica-se ao seu trabalho no silêncio e na solidão da sua casa à beira-mar. Porém, ela é assombrada por memórias indesejáveis.
A sua filha solitária, Calum, um homem mais novo e frágil que quer exorcizar os seus demónios, e os seus novos amigos dão-lhe a esperança e o amor necessários para viver cada dia. Mas terá Rose, presa à vida e à sanidade por um fio, a coragem de dizer sim à vida e esquecer o passado?”

A MINHA OPINIÃO:

Os Laços que nos unem tinha tudo para me deslumbrar: opiniões anteriores favoráveis e uma sinopse atraente. mas o seu encantamento rapidamente se desvaneceu. Rose é uma personagem sofredora, cujo passado a atormenta. Linda Gillard criou a história com uma estrutura em forma de desabafo como se estivéssemos a ser confidentes de Rose que é uma personagem empática. Megan, filha da protagonista, é a ligação ao passado e Calum, um homem que poderá devolver-lhe a felicidade e é a sua grande esperança num futuro mais risonho. A história geral é muito bonita e mostra como as feridas podem sarar apesar da incerteza na recuperação. Aonde está o problema? Para mim, os pequenos " capítulos" do livro. Não sei se deva chamá-los assim porém, retiraram algum do prazer em ler este livro. Não davam tempo para me envolver o suficiente na história. Esta opção literária de Linda Gillard associada ao facto de só poder ler algumas páginas de cada vez contribuíram para uma leitura atribulada  e, por vezes, desmotivante. O livro parece ter chegado na altura errada. Todavia, pretendo dar outra oportunidade a esta escritora.

4/7- BOM

PS:Obrigada Segredo dos Livros!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Devaneios de Séries.... Smallville

( este post foi re-editado!)
Smallville está a chegar ao fim! Esta semana nos Estados Unidos, na sexta, vai para o ar o último episódio da série que começou em Outubro de 2001. Dez temporadas e mais de 200 episódios depois, Clark Kent vai tornar, finalmente, num dos heróis mais famosos da DC Comics, Superman aka Superhomem.

Há uma década atrás e no rescaldo do 11 de Setembro, a Warner Brothers lançou um episódio-piloto de uma série diferente sobre o Superhomem.

Superman é dos personagens mais amados pelos norte-americanos. Representa a verdade e a justiça in all american way. Mas, neste caso, não havia capas vermelhas nem voos, só um adolescente confuso e desorientado pelos seus poderes emergentes, pela amizade, pelo amor e, pelo facto de ter de esconder o segredo de todos, Clark Kent. O primeiro episódio de Smallville foi um sucesso retumbante. Seguiram-se dez temporadas, algumas mais brilhantes que outras contudo, a série cativou uma audiência fiel e conquistou o seu lugar na televisão americana. Conheci a série através da RTP e embora não a seguisse religiosamente, foi acompanhando o seu percurso ao longo dos anos. Há sempre algo de muito inspirador num herói: alguém que se sacrifica pelo o bem da Humanidade! Já estou a ser sentimentalista!:p A história apresenta alguns twists. Clark ( Tom Welling) não sabe voar e até há bem pouco tempo tinha vertigens! O que não deixa de ser irónico! Lex Luthor ( Michael Rosenbaum), o famoso arqui-inimigo, é amigo de Kent . Os dois amigos que fazem escolhas completamente distintas e essas forjarão o seu destino. Pois não há um grande herói sem um grande vilão!
Além desta nova amizade, Clark conhece o amor, Lana Lang (Kristin Kreux). Uma relação de altos e baixos e bocadinho esticada de mais, na minha opinião. Lana foi das personagens que, a partir de um certo ponto, pareceu-me demasiado forçada e com uma monotonia subjacente terrível. Mas, eis que umas temporadas depois entra em cena, Lois Lane ( Erica Durance). Energética, despachada, determinada, hilariante e teimosa, ela deu uma nova vida à série. A interacção dela com Clark é bastante cómica já que eles, a princípio, não se suportam.:)

O programa ganhou ainda mais vida com entrada de novos personagens da banda-desenhada. Devido a direitos de autor, Bruce Wayne/ Batman e Diana/ Wonderwoman ficaram de fora porém, os produtores encontraram outra solução: Oliver Queen/ Green Arrow ( Justin Hartley). Multi-milionário, órfão e amante de um bom um arco e de uma flecha, Oliver foi dos mais regulares. Surgiram outros como Bart/ Flash, Aquaman e a prima perdida de Clark, Kara/Supergirl.


Ao longo de dez anos, Smallville também teve os seus vilões. Destaco James Marsters como Braniac e Callum Blue como Zod. A série também introduziu uma personagem que não existia na mitologia, Chloe Sullivan ( Allison Mack). O sucesso foi tanto que ela já aparece nas novas bandas-desenhadas. Chloe é a mais velha amiga do protagonista.
Smallville apresentou um novo Clark Kent em Tom Welling todavia, não esqueceu aqueles que durante anos, viveram o herói como por exemplo, Christopher Reeve que participou em alguns episódios.

Prestes a levantar voo pela primeira vez, Smallville terá um episódio duplo na sexta. E após anos de exibição, chegará ao fim. Para os fãs de Superman, restará esperar por 2012 pelo filme: Superman: Man of Steel de Zach Snyder sob o aval de Christopher Nolan.

TRAILER DE SMALLVILLE:

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